quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

À minha Leslie

 Olá leitores do meu coração' ^^


Bom, desculpem pelo atraso do post sobre minha princesa, mas é que eu estive bem atarefada e cansada esses dias. Eu queria começar dizendo que hoje é a primeira vez que me sinto bem de verdade desde que minha pequena me deixou; Desde que ela foi sacrificada eu vou à clínica veterinária se chego cedo da escola, porque o ônibus para bem em frente. E hoje, como não fui pra escola a tarde, eu fiquei a tarde inteira lá, não me perguntem fazendo o quê, talvez o pessoal de lá ache que eu sou louca. E... eu sou '-' Mas é que eu apenas me sinto bem na companhia dos animais ou falando sobre eles. Existe lugar melhor pra isso que uma clínica veterinária? E especialmente hoje foi bem agradável ^^ E também foi a primeira vez que saí de lá rindo no caminho de volta e não com lágrimas escorrendo pelo rosto. Bom, vamos dar início ao post.

15 de Fevereiro. Esse foi o dia do sacrifício da minha filha. Talvez eu nunca saiba se tomei a decisão certa. Talvez algumas pessoas me condenem. Jon Katz disse: "Acredito que esse tipo de escolha seja muito pessoal; simplesmente não existem regras universais. Quando tudo está dito e feito, cada um de nós está sozinho."

Prosseguindo, eu decidi estar com Leslie até o último segundo. Eu assisti ao sacrifício. Não porque eu seja forte ou corajosa, ou até mesmo fria como alguns podem julgar _ se existe algo que não sou é fria com relação a animais. Eu apenas concluí que esse era o mínimo que eu podia fazer por ela depois de tudo que ela fez por mim. Como eu poderia deixá-la na mão de estranhos naquele momento? Eu preferi estar lá, dizendo "eu te amo", pedindo perdão por qualquer coisa e sentindo a textura daquele pelo de cor estranha que eu tanto gostava pela última vez.

Esse seria o momento certo pra falar do tratamento que eu recebi no CCZ, mas nós deixaremos isso para um post futuro, pra não borrar essa homenagem, feita com tanto carinho. Além desse, eu gostaria de fazer o próximo post, um post de conformação, pra quem perdeu alguém importante, seja quem ou o que for. Eu ia fazer aqui mesmo, mas não quero que fique extenso demais.

Prosseguindo one more time, um bom dono vai sempre achar que seu cachorro (ou qualquer que seja seu bebê) é especial. E ele é. Cada um deles tem algo próprio, único, só dele; algo além das aparências; algo nas manias, no jeito, nas atitudes... Minha Leslie também tinha esse "algo", como todo ser importante pra algum de nós, tem. E eu vou falar exatamente dele, esse algo:

Parece que minha boneca
não gostava muito de flash... xD
Em primeiro lugar, ela foi a criatura mais doce que eu conheci. Como eu escrevi em meu diário (sim, eu tenho um, escrevo nele desde 2004 u.u), ela foi uma "conquistadora". Ela encantou cada um dos que tiveram a oportunidade maravilhosa de conhecê-la, inclusive uma das minhas melhores amigas, que nem ao menos gostava de cães até então...

Ela tinha aquela educação e obediência impecáveis... desde filhote, quando ela fazia algo errado, eu murmurava: "ruuum..." em tom de reprovação. Era algo impensado, que eu fazia por fazer, e mesmo assim ela aprendeu que devia parar quando ouvisse o murmuro. Se fosse algo que ela tivesse mais empolgação, bastava apenas um "Leslie, não vá/não faça!" e ela dava um passo pra trás e se sentava. Quando duvidava se algo era certo ou errado, olhava pra mim com um olhar de "mãe, eu posso?" e se eu mandasse um beijo, pra ela representava minha deixa, meu sim.

No caís =)
Leslie sempre me acompanhou a todos os lugares. A mim e à minhas amigas. Ela era a mascote do grupo nas saídas de fim de semana a noite e era quem fazia as idas cansativas ao centro em tardes entendiantes terem graça. E qual o problema em levá-la a todos os cantos se ela sempre se comportava bem e era simpática com todo mundo? Ela esteve nas pizzarias, nas praças, no caís, nas lanchonetes e até em lojas de roupa íntima... Até mesmo na escola, onde a levei duas vezes e ela se comportou direitinho nas aulas... Até mesmo no ônibus coletivo, onde eu ouvi um comentário: "pode entrar cachorro aqui?" e apenas ignorei... Na calçada de casa nas vezes que minhas amigas e eu decidíamos passar a madrugada conversando... E também quando decidíamos subir os morros pra ver o Sol nascer. Ela estava lá, como parte do grupo. A cereja do bolo, na verdade. E quando ela cansava começava a pular em todo mundo até alguém pegar ela no colo. Se esse alguém não fosse eu ela começava a se remexer até passar pros meus braços.

Ela tinha uma voz própria, haha' Era uma voz que eu mesma fazia, claro, mas era dela, só dela. Era surpreendente como a tal "voz" tinha sintonia com ela, chegava a parecer que era mesmo ela falando. A voz, e aquele sorriso próprio também, era ótimo. Vocês precisariam ouvir pra entender, mas era tão dela que eu me sinto proibida de fazer desde que ela se foi... Aliás, prometi à ela e a mim mesma que jamais usarei aquela voz pra outro cachorro; Assim como prometi que jamais ensinarei outro cachorro a sentar com a palavra osuwari¹ ao invés de senta ou sit... Ela sentava quando eu dizia "osuwari"; dava a pata em seguida, quando eu pedia; deitava quando eu batia a mão no chão e fingia de morta ao ouvir "morta!". Claro, só se eu tivesse uma recompensa na mão... Eu quero lembrar sempre dos momentos que usei pra ensinar ela a fazer cada uma dessas coisas. Foram bons momentos. Eu com certeza vou lembrar.

Ela me dava "boa noite" e "bom dia" todos as noites e todas as manhãs: bastava eu deitar na cama e ela pulava, colava o corpinho em mim e colocava o queixo em meu ombro; passava uns 3 minutos, descia e ia dormir, onde ela quisesse; às vezes na própria cama, ao lado dos meus pés. O "bom dia" era ignorado na maioria das vezes' hahaha' ela fuçava no lençol ou lambia meu rosto quando descoberto e eu só ignorava até ela desistir e me deixar curtir meu sono u.u Hoje eu queria curtir apenas aquelas lambidas molhadas outra vez... Aliás, ela foi uma boa lambedora. hahahaha'

Assim como muitos cães tem esse hábito, minha Leslie, assim como o pai, passou a uivar ao me receber. Eu ficava gritando junto com ela' hehe'

Ela tinha um porquinho de pelúcia e quando tava entediada colocava ele na boca e começava a esfregar em qualquer um até que a pessoa jogasse pra ela buscar... e depois fazia de novo e de novo e de novo. Chegava a ser irritante aquele porco todo babado sendo passado na gente o tempo todo. Claro que eu não pude me desfazer dele... Tive que me desfazer de muitas coisas dela, por causa do vírus da doença, mas aquele porquinho... eu simplesmente não pude... Além dele, tiveram outras coisas: lacinhos, coleiras (se bem que eu coleciono coleiras... '-' eu sei, eu não sou normal), o vestidinho de um desfile que ela participou uma vez, pra uma gincana _ isso me trás lembranças tão boas... Aliás, minha Leslie só me trás lembranças boas; eu evito ao máximo e sem muita dificuldade lembrar dela na doença, prefiro lembrar da minha pequena bem, com aquela simpatia única. _ Eu guardei a rasqueadeira dela, apesar de achar que não devia, sei lá; E por algum motivo que não sei, me vi incapaz de jogar o cartão de vacina fora... A última coleira que ela teve continua no torno, como se estivesse pronta pra levá-la pra passear. Gosto de ver ela lá. Certo dia uma colega me disse "ô mulher, lembrar é pior" e eu respondi "eu sei". Mas existe algo ainda pior: esquecer. Que tipo de pessoa eu seria se esquecesse da minha princesa? Seres importantes pra nós, que nos fizeram felizes, devem ser lembrados. Seja entre sorrisos, seja entre lágrimas. Ou os dois.

Obrigada.


¹ Osuwari é senta em japonês. Usei essa palavra no lugar de "senta" ou "sit" pra ensinar minha pequena por causa do anime InuYasha (*-*). Nele, o personagem principal, InuYasha, usa um colar encantado e por causa dele é puxado para o chão toda vez que Kagome (outra protagonista) pronuncia a palavra "osuwari". Para os otakus que não tiverem assistido, indico o anime ^^ Para os não-otakus, virem otakus ^^ hahahaha' Pesquisem se quiserem saber mais.

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