sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cinomose: o que ela me fez passar'

Oi meus amores... Tudo bom com vocês? Em primeiro lugar, perdoem-me pela extensão e falta de dinamismo do post, não foi possível fazer de outra forma. Vamos em frente...
Bom, há algum tempo uma das minhas cachorras passava por alguns problemas de saúde, etc. Bom, além de uma outra coisa, esses problemas na verdade eram uma única doença, conhecida como cinomose. E...é a doença mais maldita que eu já vi em cães '-'. Infelizmente, eu conheci ela da pior forma: na prática.
Ao que parece, Leslie teve com essa doença desde o final de Dezembro ou até mesmo antes, só que nós não sabíamos. Inicialmente não parecia nada, depois nós achamos que ela tivesse com parvovirose. Tudo começou com um lacrimejamento e um bom tempo depois diarreias, onde se encontrava sangue, como na parvovirose. Uma tristeza, depois uma aparente cura, após o tratamento. E volta das diarreias semanas depois (até mesmo essa aparente cura e depois volta da manifestação é sintoma da cinomose).
Depois de voltar ao tratamento e concluí-lo ela ficou boa das diarreias e nós achamos que o sofrimento havia acabado. Mas ele nem tinha começado. Tempo depois eu vim a descobrir que os choros por causa da aparente parvovirose não haviam sido nada.
Ela continuou com ânsias de vômito. O sintoma seguinte foram algo parecido com soluços, mas não exatamente isso; e consequentemente uma movimentação involuntária de uma das pernas traseiras. Depois da dianteira. Ela começou a andar feito bêbada, meio cambaleando. E aí veio o primeiro ataque, um tipo de convulsão: ela estava no meu colo e começou a mexer todas as perninhas involuntariamente e ter um endurecimento no pescoço. Eu fiquei desesperada. Chamei o nome dela e meus olhos começaram a arder. Até que ela voltou a si, uns 60 segundos depois. Pesquisei na internet, exatamente pela doença cinomose, a qual eu conhecia apenas o nome e li seus sintomas e consequências. Ficou mais que óbvio que esse era o problema dela. Uma noite de desespero antecipado, apenas por ler sobre os sintomas. Mas o pior tava longe de chegar...
Levei ela ao veterinário no dia seguinte e ele confirmou. Começamos o tratamento. Ela perdia mais movimentos a cada dia. Eu fazia promessas, tinha fé e mais esperança do que eu pensei que fosse capaz de ter. O tratamento continuava. Certo momento cheguei a precisar vigiar cada passo dela, porque ela tombava em tudo. O médico veterinário dizia que seria difícil, pois a cinomose dela era aguda e na maioria desses casos não tinha jeito... Mas eu não desacreditava.  De repente, eu chegava em casa e ela demorava pra aparecer na sala pra me receber. Certo dia eu cheguei, brinquei com ela e saí novamente pra comprar miojo; quando voltei, brinquei com ela outra vez e foi nesse momento o primeiro ataque epilético verdadeiro. Foi horrível. Provavelmente nunca esquecerei daquilo. Acho que ataques convulsivos são uma das coisas mais horríveis de se presenciar. Ela tremia freneticamente e babava, fazendo movimentos mastigatórios, que é um sintoma peculiar da cinomose. Ficava completamente fora de si e eu gritava o nome dela e pedia pra ela acordar, com lágrimas no rosto. Eu tava sozinha em casa. E mesmo quando acabou continuei super nervosa, liguei pra minha mãe com a voz trêmula. Foi... horrorizante. Quando terminou, ela saiu andando sem rumo, sem saber aonde tava e talvez nem mesmo quem eu era. Era difícil manter ela quieta. Demorou um tempo pra ela acordar. O tratamento prosseguia, eu ligava pro veterinário o tempo todo, mas as convulsões não paravam nem mesmo com o medicamento. Ela chegou a ter 3 seguidas. Nesse período, ela estava em observação, e com esse agravamento, retornamos aos remédios. Nada.
Eu coloquei meu colchão no chão, pra monitorar ela a noite. Ela passou a andar cada vez menos, apenas para fazer as necessidades e muitas vezes eu ainda precisava levá-la e ela mal ficava em pé. Minha mãe veio pra cá, me ajudar. Nesse período ela começou a mexer apenas a cabeça e começaram as gritarias, por causa da pressão no cérebro. Remédios pra dor e mais remédios pra dor, mas nada adiantava. Eu não dormia mais. Passei noites em claro, ouvindo os uivos e tentando acalmá-la, ainda convivendo com as convulsões, que muitas vezes eram de 3 a 5 vezes em intervalos muitos curtos... Chegava a ser torturante tamanho sofrimento. Emagreci, perdi o sentido da vida, deixei de cuidar de mim, de me preocupar com outras coisas que não fossem minha pequena...
Levei ela ao veterinário outra vez, no sábado que antecedeu ao feriado de carnaval.  "Se ela não melhorar até sexta, o melhor é fazer a eutanásia". Eu já não tentava frear as lágrimas enquanto estava na clínica. Aquela grade, especialmente aquela grade, a última, lá do alto, parecia tanto com as vezes que eu ia lá apenas buscar ela depois do banho e tosa... Ela sempre ficava naquela grade...
Mas ela ia melhorar. Esperança. É a última que morre.
Mas em certo dia da semana ela gritou tanto, tanto, com tanta dor, que eu cheguei a ligar desesperada pro veterinário perguntando se o Centro de Controle de Zoonoses estava funcionando, pois era lá que ela seria sacrificada, caso precisasse. Mas não estava.
Logo depois, ela parou de comer, de mastigar. De movimentar a cabeça. Minha mãe foi embora. Um dos olhos dela, ficou fundo no centro, como se estivesse cega. As gritarias diminuíram um pouco, talvez porque ela simplesmente não conseguisse mais... e deram lugar à volta do lacrimejamento (o único sintoma que havia sido controlado). Agora também saíam secreções do nariz, e da quarta pra quinta começou uma insuficiência respiratória. Agora o que me impedia de dormir era o som de sua respiração, a qual ela se esforçava tanto pra conseguir.
Quinta-feira. Fomos ao CCZ. Senti um nervosismo quando tava chegando a hora. Aquela sensação de quando se vai ao dentista. Falei com o veterinário dela (que agora trabalha também lá), mas não estavam fazendo eutanásia naquele dia. Ficou marcado pro dia seguinte, de manhã. Ontem, 15 de Fevereiro de 2013.

Como eu não quero que o post fique ainda mais extenso, contarei amanhã ou depois o restante da história. Falarei como foi o sacrifício (sim, eu assisti, era o mínimo que poderia fazer: estar com ela até o último segundo); homenagearei minha princesa, falando dos momentos bons que passamos e de como foi chegar em casa e não encontrá-la; como foi acordar hoje; e os pensamentos que passei a ter, capazes de trazer conforto... das coisas que li esses últimos dias. Das músicas que ouvi. E de como fui tratada em certo momento no CCZ (provavelmente isso vai virar um post em reclamação).

Pesquisem sobre a doença, estejam preparados, vacinem seus cães (minha Leslie era vacinada, mas nenhuma das vacinas é 100%)... Tomem cuidado.

Um cachorro com cinomose deve ser isolado, pois a doença é altamente contagiosa e o vírus permanece na casa cerca de 1 a 4 anos; Nesse período, não se pode ter outros cães (a doença afeta apenas canídeos). Enquanto o cão estiver doente, não é aconselhável dar banho: pode causar estresse e baixar a imunidade, que torna-se quase zero. A alimentação deve ser reforçada, exatamente pra reforçar a imunidade. Cinomose tem tratamento (mesmo podendo deixar graves sequelas), depende de como se manifesta e do organismo de cada cão. Eu não tive a sorte de conseguir tratar minha hime-sama. Eu pedi ajuda a várias pessoas além do veterinário e acabei tendo contato com esse blog: Rita Polonini' Nele contem várias dicas, de alimentação reforçada, etc... E também dicas a respeito de outras doenças que acometem nossos anjinhos latidores.

Obrigada por lerem. De verdade, tomem muito cuidado, o máximo que puderem, porque só quem teve/tem um cachorro com cinomose sabe o sofrimento. É inimaginável.

2 comentários:

  1. Nem fale amiga sei muito bem como é isso vai fazer um ano que perdi meu cãozinho marley ...

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    1. oun mlr, e quando se tem que fazer um sacrifício, então... talvez eu nunca saiba se tomei a decisão certa'

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