domingo, 29 de dezembro de 2013

Eu sou um Gato


O livro Eu sou um gato, no japonês, wagahai wa neko de aru (quem assiste anime deve conhecer o pronome "eu" como watashi ou alguma outra forma que não seja wagahai haha', mas no livro está escrito o seguinte: "Das muitas formas de dizer 'eu' em japonês, Soseki optou pelo pronome de primeira pessoa 'wagahai', cujo uso era restrito a políticos, militares, etc., e se revestia de certa arrogância"), é narrado por um gato que mostra, no decorrer dos capítulos, sua visão sobre os seres humanos, baseada principalmente em seu amo e amigos, que costumam visitar a casa onde vive.

Bom, esse livro não é o que eu recomendaria a um leitor iniciante, não é o tipo de livro que te prende a ponto de ser lido em três dias ou menos. Mas é um bom livro. Interessantíssimo, aliás. Possui... acho que posso chamar de "pensamentos reflexivos", tanto do gato (que sofre por não ter nome' ashuas) quanto de seu amo e amigos, pois por diversas vezes os capítulos baseiam-se em conversas entre eles, expondo suas ideias, etc. Além dessas coisas que te fazem refletir, o livro é uma fonte de conhecimento sobre a cultura japonesa, a filosofia, dentre outras coisas. Às vezes se mostra meio machista, mas eu, por conveniência, optei por ignorar, mesmo que nas últimas páginas dê certa raiva. Enfim, vou colocar aqui algumas passagens do livro:

"Ora, que esforços despenderam os homens para a criação desse céu e terra? Nenhum, eu garanto. Inexiste lei que conceda a alguém a propriedade sobre algo que não criou. [...] Se a terra é dividida e se comercializam direitos de propriedade, nada mais natural do que dividirmos também o ar que respiramos e vendê-lo por unidades cúbicas. Se não podemos vender o ar e é improvável fracionar o céu, não seria a posse da superfície terrestre também uma irracionalidade?" (Capítulo 4, página 144, parágrafo 1)

"[...] A insânia isolada é tida como loucura, mas quando em grupo e gerando força talvez se torne característica das pessoas sãs. Não são poucos os exemplos de grandes loucos que abusam do dinheiro e poder para incitar loucos menores à violência e acabam passando por pessoas honradas. Eu já não compreendo mais nada" Esse pensamento inteiro é interessante, mas é muito longo pra que eu escreva tudo aqui. Pertence ao dono do gato, professor Kushami. (Capítulo 9, página 369, parágrafo 1)

Recomendo o livro à leitores de longa data ^^

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